Diário de uma quase adulta



Como na vida adolescente, tudo começa com um surto digno de post no Twitter. Por favor, não se assustem, é apenas a autora soltando a isca para a pulguinha atrás da orelha forçar seu dedo a ir para o próximo capítulo. 

Narrada em primeira pessoa, a história intercala entre os acontecimentos e passagens do diário da estrelinha principal em sua fase "quase adulta", conhecida popularmente aqui, made in Brasil, como aborrescente. O maravilhoso mundo dos hormônios a flor da pele, espinhas, fins do mundo, tentações e lágrimas, porque seu crush na verdade crusha outra. Spoiler da vida: No futuro, a não ser que você tenha se deixado levar pelos hormônios e perdido a virgindade com o tal crush - hello, Kendra (As We Collide) e Tessa (After) - você nem vai se lembrar do nome do fulaninho. 

Enfim, o enredo de "Diário de uma quase adulta" gira em torno de dois personagens, Phoebe e Elijah. Casal que parece ter como música tema "Entre tapas e beijos", porque pelo santo pão de mel! Elijah e Phoebe são uma mistura interessante de coelhos, devido a louca tendência a acasalamento e onças no cio. Caso nunca tenha visto algo do tipo no Discovery Channel ou na internet, segue abaixo imagem para seu possível futuro trauma.


De volta a história, logo no segundo capítulo, Phoebe descobre estar grávida, temos aqui o inicio da confusão, já que o pai, obviamente Elijah, não reage como a garota quer e o sonho de uma futura família tradicional brasileira é desfeito diante dos olhos da protagonista. Ao menos é o que ela pensa, porque a cabeça de cima de Elijah finalmente nota o que a cabeça de baixo fez e assume as responsabilidades, ou ao menos tenta, porque como eu disse anteriormente, nesse casal é tudo na base de tapas e beijos, babies.



AVISO: Esta é a parte da resenha na qual tento ficar séria e dizer algo útil para vocês, caros leitores e autores sem encher dos meus próprios erros de pontuação e português para não parecer uma hipócrita. Também é a parte na qual tento não magoar o autor porque, apesar de só melhorarmos com críticas, também dói ouvir algumas coisas, sei por experiência própria. Damos duro, passamos preciosos minutos na frente do computador escrevendo, revisando e reescrevendo cenas, então, quando alguém crítica aquilo de modo negativo, dói. Isto vale para além dos textos, para tudo, o pior é que na maioria das vezes, o pior crítico somos nós mesmos. Enfim, este paragrafo é apenas para lhe pedir desculpas, cara escritora e dizer a cada leitor para se jogar na vida sem medo. Porque a gente só aprende com erros, quanto maior o erro, maior o aprendizado, (in)felizmente.

A escrita está dentro das regras ortográficas, com poucos erros nesse quesito, apesar de haver alguns na pontuação em excesso de vírgulas, eu sei como é complicado isso, eu mesma vivo errando, então dos males o menor. Quem nunca errou uma vírgula, ou várias, que atire a primeira pedra, lembrando que existe Maria Penha, só para lembrar mesmo. Já que uma lei foi citada, vou lembrar de outra: A trabalhista. Em certa parte da história, a chefe de Phoebe a demite... Enquanto ela está grávida. Por lei, isto é proibido. Graças ao bom senso, em 1988 foi instituído a proibição da demissão de empregada gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Ou seja, querida gerente da lanchonete, obrigação sua calar a boca e deixar a Phoebe trabalhar em nome do bom senso e da lei.

A feminista em mim também gostaria de aproveitar esse momento para mandar Elijah tomar no copo, não por propor colocar a criança para doação, isto é uma possibilidade totalmente plausível com salários insuficientes e gravidez não planejada, apesar de ter de ser uma decisão de ambos. Entretanto, meu desejo de um belo tapa na cara do señorito é devido ao número de vezes ao qual ele se dirigiu a Phoebe como "cadela". O cara pode ser o Papa e ter uma santa piroca que ainda assim chamar sua parceira de cadela não vai ser aceitável aos meus olhos. Cara, Phoebe, sinceramente você merece mais. 

Garotas, garotos, homens e mulheres, sim, brigas são naturais em relacionamentos, vocês são dois seres humanos com pensamentos diferentes, é óbvio que vão discordar de dezenas de coisas, mas discussão e falta de respeito não são sinônimos. Usar de ofensas, fraquezas e obviamente agressão física, aqui entram aqueles empurrões "sem querer", são sinais vermelhos para você cair fora. 

De inicio, fiquei curiosa como tudo aconteceria com apenas dois personagens, mas a história de fato conseguiu correr com apenas o casal e a participação esporádica da (ex)chefe de Phoebe. No geral, a base é boa, com o clichê de adolescente grávida e relacionamento complicado. Gostaria de recordar que clichê não é um termo pejorativo, Jenny Hann e Anna Todd amores da minha lista literária.

No fim das contas, o sonho inicial da protagonista acaba se tornando premonitório porque o fim é exatamente ele, mas isso eu não posso contar porque pertence ao diário de Phoebe, junto de seus surtos e amores.   


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