PARA TODOS OS IRMÃOS QUE JÁ AMEI

Título: Trilogia "O verão que mudou a minha vida"
Autora: Jenny Han
Música tema: Áudio de Desculpas | Manu Gavassi 
Semelhante: Fazendo meu filme & Barraca do Beijo


Quando o nome de Jenny Han surge no mundo dos leitores, a primeira impressão é obviamente "Lá vem o romance adolescente água com açúcar", de fato, o pensamento está certo. Por isso, em meio a tantos números pesados na vida real me entreguei com prazer ao enredo leve da trilogia fictícia "O verão que mudou minha vida". Entretanto, cometi o pequeno, porém grato, erro de igualar esta com a trilogia "Para todos os garotos" que já amei, adaptado também para filmes na Netflix. 

Grato, porque apesar de amar uma boa leitura leve, como legítima leonina dramática, também amo um bom drama com direito a lágrimas, saídas dramáticas e reviravoltas inesperadas.

Inicialmente, quando li os títulos e sinopses, acreditei que o tal verão que mudou a vida de Isabel Conklin tivesse ligação direta a um possível romance, do mesmo modo como presumi que a música Áudio de desculpas da fadinha, Manu Gavassi, fosse referência a algum romance problemático. No entanto, o verão de Belly na verdade se perdeu junto de uma pessoa próxima, sem ligação romântica, e as desculpas de Manu eram para ela mesma. 
Aqui, poderia começar a discutir como o machismo está agregado de tal forma em nosso cotidiano, ao ponto de a mente feminina associar tudo a macho. Contudo, vou polpar vocês disso, porque o papo hoje é para ser leve. 

A história é narrada em primeira pessoa por Belly Conklin, durante um de seus verões - uau, por essa vocês não esperavam, não é mesmo - em Cousins Beach junto da mãe, irmão e família Fisher, formada por Susanah e seus dois - lindos - filhos. 

Esqueça o clichê sonho de aborrescentes norte americanos sobre ser líder de torcida e/ou namorar o capitão do time. Todo o desejo de Belly era simplesmente ser incluída pelos garotos durante o verão. Isto, até o gentil Jeremy Fisher, abrir mão de saídas com os garotos para lhe fazer companhia, até se tornarem verdades amigos, ao menos aos olhos da inocente, e cega, protagonista. Some isso ao fato de o coração da jovem, melosamente, só ter olhos para Conrad, o outro irmão, e vocês terão uma pequena ideia do número de vezes nas quais revirei os olhos para determinados comportamentos durante o enredo.

Contudo, Jenny Han conseguiu me surpreender e até mesmo arrancar algumas lágrimas nas últimas páginas do primeiro volume. Parabéns, Jenny, você me deve algumas gramas de maquiagem e um final melhorado para esta trilogia. Sim, caros leitores, um final melhor.

A trilogia possui um enredo leve, gostosinho de ler, perfeito para este momento pesado. Tem aquele sabor nostálgico das primeiras leituras, amores e aquele toque de decepção necessário para a história se desenvolver. Confesso, ao escrever isso estou com vontade de ler o primeiro de novo. Emergir naquele mundo inocente de sol, praia e sentimentos confusos da adolescência. 

Entretanto, como nem tudo são flores, chegou o momento da crítica. Meu conselho pessoal é leitura do primeiro volume e the end. Isto, porque ao ler o segundo é um caminho sem volta em direção ao terceiro e consequentemente ao final um tanto quanto desapontante. 

Esta pode ser uma observação estranha, levando em conta que o casal final foi justamente o meu shipper favorito. Entretanto, senti da parte de nossa querida Jenny uma certa preguicinha nos últimos capítulos. Ultimamente comecei a pegar pavor de sagas literárias justamente por isso. A impressão passada é de que a autora simplesmente cansou de narrar a vida daqueles personagens. Uma clemência muda por "Só quero que isso acabe, please". 

Não sei quanto a vocês, mas livros com desenvolvimento detalhado, contudo, finais rápidos e fáceis, criam uma sensação semelhante a esperar duas horas na fila de um parque para andar por apenas cinco minutos em um único brinquedo. É divertido, mas ainda assim desapontante. 

Todavia, o primeiro livro, responsável pela montanha russa de emoções, com enfoque além das confusões românticas, com certeza merece ser lido. Inverno ou verão, ele com certeza vai deixar uma marquinha na sua vida literária.
 


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